PRP (plasma rico em plaquetas): o que é, como funciona e indicações reconhecidas pelo CFM
O PRP passou a ter uso adjuvante reconhecido pelo CFM em indicações específicas, desde julho de 2026. Entenda o que isso significa na prática, com avaliação individual em Fortaleza e Eusébio.
Atualizado em 06 de setembro de 2026 · Publicado em 01 de setembro de 2026
Fortaleza (Meireles) e Eusébio (CE), com estacionamento nas duas unidades.
Resposta rápida
PRP é a sigla para plasma rico em plaquetas, um produto biológico obtido do próprio sangue do paciente, usado para concentrar plaquetas e fatores de crescimento. Desde a Resolução CFM nº 2.464/2026, tem uso adjuvante reconhecido em quatro indicações — osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral e reparo meniscal —, sempre a partir de diagnóstico e avaliação individual. Não é célula-tronco, e não substitui um tratamento clínico ou cirúrgico já indicado.

O que é o PRP
PRP é a sigla para plasma rico em plaquetas: um produto biológico autólogo, obtido do próprio sangue periférico do paciente que vai recebê-lo. O processo começa com uma coleta de sangue simples, seguida de centrifugação em sistema fechado, no próprio consultório — etapa que separa os componentes do sangue por densidade e concentra as plaquetas em um volume menor de plasma, aplicado de volta no local tratado.
Em termos simples: o sangue é coletado, centrifugado e concentrado, sem cultivo nem expansão de células em laboratório. É o que a Resolução CFM nº 2.464/2026 chama, no artigo 2º, de manipulação mínima — o processo não altera de forma significativa as características biológicas originais do sangue, e é isso que diferencia o PRP de outras categorias de produtos biológicos, com regulamentação própria e mais restrita.
Na prática, o objetivo do preparo é elevar a concentração de plaquetas acima do nível basal do próprio sangue — usualmente entre 150 mil e 350 mil plaquetas por microlitro —, concentrando os fatores de crescimento que elas liberam quando ativadas. São esses fatores de crescimento, e não uma ação farmacológica externa, que sustentam a hipótese biológica do procedimento.
Vale a mesma honestidade que já vale para outros ortobiológicos: o PRP não é célula-tronco, não passa por cultivo em laboratório, e não existe garantia de regeneração de um tecido já desgastado. Para entender a diferença entre PRP e outros preparados autólogos, como o BMA e a gordura microfragmentada, o artigo sobre ortobiológicos detalha essa distinção.
O que mudou com a Resolução CFM nº 2.464/2026
Até julho de 2026, o uso do PRP em doenças musculoesqueléticas estava classificado pelo CFM como procedimento experimental, restrito a protocolos de pesquisa — regra da Resolução CFM nº 2.128/2015. Isso mudou com a Resolução CFM nº 2.464/2026, publicada em 15 de julho de 2026, que revogou a resolução anterior e autorizou o PRP como procedimento adjuvante em quatro condições osteomusculares: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo meniscal.
O termo adjuvante é central: o PRP não substitui o tratamento clínico, reabilitacional, intervencionista ou cirúrgico indicado para o seu quadro (art. 1º, § 1º). A indicação exige diagnóstico estabelecido, avaliação clínica individualizada, correlação com exames complementares quando necessários, e exclusão prévia de contraindicações (§ 2º).
A exposição de motivos da resolução explica essa diferenciação entre as quatro indicações. Para o joelho, o texto reconhece o "conjunto probatório mais consistente", com indicação especialmente na osteoartrite leve a moderada. Já para a epicondilite lateral e o reparo meniscal, o CFM descreve "evidências disponíveis mais heterogêneas, porém suficientes para justificar autorização regulada e restrita do procedimento" — uma autorização mais cautelosa do que a do joelho, mas ainda assim uma autorização.
A discopatia lombar entra na lista com uma condição adicional: só é autorizada em ambiente hospitalar ou hospital-dia, com correlação clínico-radiológica, técnica asséptica rigorosa, orientação por imagem, e restrita a médicos com RQE em anestesiologia, neurocirurgia, ortopedia e traumatologia, radiologia intervencionista ou medicina da dor (art. 7º). Não é o caso deste consultório: aqui, o atendimento é voltado a pé, tornozelo e às demais indicações do PRP — a discopatia lombar não é realizada por mim.
A íntegra da norma pode ser conferida na fonte primária: Resolução CFM nº 2.464/2026 — texto oficial (PDF).
| Condição | Como o CFM enquadra | Realizada neste consultório? |
|---|---|---|
| Osteoartrite de joelho | Uso adjuvante; conjunto probatório mais consistente, sobretudo na osteoartrite leve a moderada | Sim — mediante avaliação individual |
| Epicondilite lateral (cotovelo de tenista) | Uso adjuvante; evidências mais heterogêneas, autorização regulada e restrita | Sim — mediante avaliação individual |
| Discopatia lombar | Só em ambiente hospitalar ou hospital-dia, com imagem, por RQE em anestesiologia, neurocirurgia, ortopedia, radiologia intervencionista ou medicina da dor | Não |
| Reparo meniscal | Uso intraoperatório adjuvante; não substitui a técnica cirúrgica nem a reabilitação pós-operatória | Não — fora da atuação deste consultório |
Como o PRP é preparado e aplicado
A forma como o PRP é preparado também tem regras. A Nota Técnica ANVISA nº 29/2024 orienta o processamento preferencialmente em sistema fechado — kits que mantêm o sangue e o plasma isolados do ambiente externo durante toda a centrifugação, reduzindo o risco de contaminação. A mesma lógica aparece na resolução: os insumos utilizados no preparo precisam ter regularização sanitária vigente (art. 4º), e o processamento deve seguir, preferencialmente, sistema fechado (art. 3º).
Um ponto que vale destacar: a resolução veda expressamente adicionar ao PRP qualquer medicamento, substância biologicamente ativa, célula-tronco, concentrado de medula óssea ou gordura microfragmentada (art. 5º). PRP, BMA e MFAT são produtos distintos, cada um com sua própria análise regulatória — misturá-los em uma única preparação não é uma opção permitida, ainda que os três apareçam, com frequência, sob o mesmo guarda-chuva de medicina regenerativa.
No consultório, a aplicação costuma ser guiada por ultrassom — recomendação da própria resolução para estruturas de acesso mais difícil ou de maior risco neurovascular (art. 6º, § 3º) —, posicionando a agulha com precisão na articulação do joelho ou no cotovelo, as duas indicações realizadas aqui. O ambiente segue, no mínimo, os critérios do Grupo 2 da Resolução CFM nº 2.153/2016 (art. 6º, § 2º), e cada etapa — da indicação à aplicação — é ato médico exclusivo, que não pode ser delegado a outro profissional (arts. 8º a 12).
Como costuma ser o caminho do tratamento com PRP
- Avaliação clínica e diagnóstico, com exame de imagem quando indicado, para confirmar a indicação e excluir contraindicações.
- Decisão compartilhada sobre a indicação, com explicação sobre o que a evidência mostra para o seu caso, e consentimento informado específico para o PRP.
- Coleta de sangue periférico no próprio consultório, no dia do procedimento.
- Preparo do PRP em sistema fechado, conforme a Nota Técnica ANVISA nº 29/2024.
- Aplicação guiada por ultrassom na articulação ou estrutura-alvo.
- Repouso relativo e fisioterapia de acompanhamento, com reavaliação clínica ao longo do tempo.
Etapas gerais, para orientação. A sequência, os prazos e as indicações são definidos caso a caso, na avaliação.
Todo PRP é igual? Por que o preparo importa
Não. Dois preparos chamados de PRP podem ser bem diferentes entre si: variam a concentração de plaquetas em relação ao sangue basal, a presença ou não de leucócitos (o chamado PRP rico ou pobre em leucócitos), a quantidade de hemácias residuais, o volume aplicado, o sistema de processamento e o número de aplicações. Boa parte da divergência entre os estudos vem daí — comparar "PRP" com "PRP" sem descrever o preparo é comparar produtos que podem não ser equivalentes.
A literatura recente aponta que essas variáveis importam. Na osteoartrite de joelho, uma metanálise contra placebo (Bensa et al., 2025) encontrou melhora maior nos preparos com maior concentração de plaquetas; na epicondilite lateral, outra análise (Oeding et al., 2025) descreve relação linear entre o fator de concentração e o alívio de sintomas — doses baixas tendem a não responder. Entre os preparos ricos e pobres em leucócitos, não há diferença de eficácia demonstrada frente ao ácido hialurônico (Kim et al., 2022), mas os ricos em leucócitos causam mais dor e inchaço transitórios logo após a aplicação.
Por isso o preparo faz parte da decisão técnica, e não é um detalhe de bastidor: o sistema utilizado precisa ter regularização sanitária vigente (art. 4º da resolução), o processamento segue preferencialmente sistema fechado (art. 3º), e a escolha do tipo de PRP, do volume e do número de aplicações é feita para cada caso, com base no que os estudos mostram para aquela condição. Se você já fez PRP antes sem resposta, saber como foi o preparo ajuda a interpretar esse resultado.
Para quem o PRP pode ser indicado — e para quem não
No joelho, o perfil mais discutido é o de osteoartrite leve a moderada — o que a classificação radiográfica de Kellgren-Lawrence descreve como graus 1 a 3 —, em pacientes com dor persistente apesar do tratamento de base já bem conduzido: ajuste de carga, fortalecimento muscular, controle de peso e, quando indicado, fisioterapia. O PRP entra como camada adicional, nunca como primeira medida diante de dor articular recente.
No cotovelo, a epicondilite lateral crônica — aquela que não melhorou com ajuste de carga e fisioterapia orientada — é a outra indicação avaliada neste consultório. Nos dois casos, a decisão parte do que já foi tentado antes, do tempo de evolução da dor e do que a literatura mostra para aquele quadro específico.
Existem situações em que o PRP não deve ser aplicado. A resolução veda o procedimento em infecção ativa no local de aplicação, em neoplasia ativa, e em pacientes com plaquetopenia clinicamente relevante, discrasia sanguínea, coagulopatia não corrigida ou outra condição hematológica incompatível (art. 13, incisos IV a VI). Essas condições são investigadas na avaliação inicial, e qualquer uma delas pode adiar ou descartar o procedimento.
A mesma resolução veda usar o PRP como promessa de cura, garantia de resultado, regeneração tecidual assegurada ou substituto de uma cirurgia já indicada (art. 13, incisos I e II) — e também como substituto de tratamento antimicrobiano, oncológico, reumatológico, neurológico ou de urgência, quando necessários (inciso III). Se o seu joelho ou cotovelo tem indicação cirúrgica estabelecida, o PRP não é alternativa: é, na melhor das hipóteses, um recurso adjuvante dentro de um plano mais amplo.
O que a evidência mostra, em resumo
Antes dos estudos, uma distinção importante: regulamentação e evidência são coisas diferentes. A resolução do CFM define em que condições o PRP pode ser oferecido e sob quais regras; os estudos clínicos avaliam se ele funciona, em quem, frente a qual comparador e por quanto tempo. Uma indicação reconhecida pelo CFM não significa resultado garantido — significa que o procedimento pode ser proposto, como adjuvante, quando o diagnóstico e a avaliação individual apontam para ele.
No joelho, diversas metanálises de ensaios de nível 1 mostram o PRP superior ao ácido hialurônico — entre elas, uma com 811 pacientes tratados com PRP (Belk et al., 2020) e outra com 21 ensaios e 2.086 joelhos (Kim et al., 2022), com menos dor aos 6 e 12 meses, independentemente da concentração de leucócitos. Uma metanálise maior, com 34 ensaios (Filardo et al., 2020), descreve o mesmo padrão: benefício que cresce com o tempo e se torna clinicamente relevante entre 6 e 12 meses, ainda que sustentado por evidência de nível baixo.
Nem todos os estudos apontam na mesma direção. O RESTORE, ensaio controlado por placebo com 288 pacientes de joelho grau 2 a 3, publicado na JAMA (Bennell et al., 2021), testou três aplicações semanais de PRP pobre em leucócitos contra solução salina: aos 12 meses, redução de 2,1 pontos na dor com PRP contra 1,8 com placebo, sem significância estatística (P = 0,17), e 29 dos 31 desfechos secundários avaliados também sem diferença. Os autores concluíram que os resultados não apoiam o uso do PRP na osteoartrite de joelho.
Uma metanálise posterior contra placebo (Bensa et al., 2025) descreveu melhora funcional em 1, 3, 6 e 12 meses e alívio de dor em 3 e 6 meses, com resultados melhores em preparos de maior concentração de plaquetas. Ainda assim, o consenso europeu ESSKA-ORBIT (Laver et al., 2024) considera o PRP opção válida, possivelmente de primeira linha entre os injetáveis, para osteoartrite de joelho leve a moderada, KL 1 a 3.
No cotovelo, uma metanálise de 11 ensaios com 730 pacientes (Xu et al., 2024) encontrou o corticoide melhor apenas no curto prazo, abaixo de dois meses, com o PRP levando vantagem em dor e função a partir de 6 meses. Já contra placebo, uma metanálise mais recente (Antunes Júnior et al., 2026) não encontrou alívio de dor nem melhora funcional significativos em nenhum dos tempos avaliados, com eventos adversos semelhantes entre os grupos. Uma possível explicação está na concentração de plaquetas: outro estudo (Oeding et al., 2025) descreve relação linear entre o fator de concentração e o alívio de sintomas.
Os artigos completos sobre PRP na artrose de joelho e sobre PRP na epicondilite lateral detalham estudo por estudo: onde a evidência converge, a indicação costuma ser mais direta; onde os estudos discordam, a decisão é individual.
| Indicação | Comparador | Força da evidência | Principais estudos |
|---|---|---|---|
| Osteoartrite de joelho | Ácido hialurônico | Consistente | Belk et al., 2020; Kim et al., 2022 |
| Osteoartrite de joelho | Placebo (solução salina) | Inconsistente | Bensa et al., 2025 (favorável); Bennell et al., 2021 (sem diferença) |
| Epicondilite lateral | Corticoide, a partir de 6 meses | Favorável | Xu et al., 2024 |
| Epicondilite lateral | Placebo | Não demonstrado | Antunes Júnior et al., 2026 |
Riscos e efeitos esperados
Por ser autólogo — preparado com o próprio sangue do paciente —, o PRP carrega baixo risco de reação alérgica, e os estudos disponíveis descrevem baixa frequência de eventos adversos graves. Isso não significa ausência de risco: a própria resolução exige que o consentimento informe, entre os riscos potenciais, dor, edema, sangramento, hematoma, infecção, lesão de estruturas adjacentes, piora transitória dos sintomas e a possibilidade de falha terapêutica (art. 14, parágrafo único).
Preparos ricos em leucócitos têm chance cerca de 3,3 vezes maior de dor e inchaço logo após a aplicação, em comparação ao ácido hialurônico (Kim et al., 2022) — mais um motivo para o tipo de PRP ser parte da decisão técnica. A exposição de motivos da resolução associa esses riscos, sobretudo, a falhas de assepsia, processamento inadequado ou ausência de rastreabilidade — o que as exigências de sistema fechado e regularização sanitária tentam reduzir.
Uma metanálise reunindo 24 ensaios e 2.751 pacientes, dos quais 1.318 receberam PRP (Fucaloro et al., 2025), descreveu complicações em 18,66% dos casos com PRP contra 9,14% nos grupos comparadores — número necessário para causar dano de 11, sem diferença frente ao ácido hialurônico ou ao corticoide, mas acima do placebo. A quase totalidade dessas complicações foi leve e autolimitada; apenas um caso de dor intensa foi registrado no conjunto de estudos.
PRP e as outras opções: viscossuplementação, proloterapia e ondas de choque
O PRP não é a única ferramenta injetável para osteoartrite ou tendinopatia, e não substitui as demais — cada uma tem seu próprio perfil de evidência e cenário mais indicado. A viscossuplementação usa ácido hialurônico para melhorar a lubrificação da articulação, também mais consistente na artrose leve a moderada de joelho. Já a proloterapia usa uma solução de dextrose, não derivada do sangue do paciente, considerada sobretudo em instabilidade do tornozelo e fascite plantar refratária.
As ondas de choque seguem lógica diferente: não envolvem agulha, atuando a partir da superfície da pele, com indicação mais estudada em tendinopatias crônicas, como a fascite plantar. Nenhuma dessas opções é superior às demais em todas as situações — a escolha, incluindo o PRP, depende do diagnóstico, da estrutura envolvida e da avaliação individual.
Atendimento em Fortaleza e Eusébio
O acompanhamento é feito por mim, Dr. Caio Fábio, ortopedista especialista em cirurgia do pé e tornozelo, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Membro da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) — CRM-CE 12791 · RQE 8590, com pós-graduação em Intervenção em Dor e Medicina Regenerativa pelo Interpain. O atendimento acontece na unidade de Fortaleza (bairro Meireles) e na unidade de Eusébio, ambas com estacionamento no local; os procedimentos guiados por ultrassom são realizados no consultório de Fortaleza, com aparelho próprio.
Para uma primeira orientação, ou para quem já tem exames em mãos e quer entender se o PRP se aplica ao seu caso antes de definir a viagem até o consultório, a teleconsulta está disponível — inclusive para brasileiros no exterior. Veja o que esperar da primeira consulta e fale pelo WhatsApp (85) 99826-1867 para agendar sua avaliação individual.


Dr. Caio Fábio — CRM-CE 12791 · RQE 8590 · Membro Titular da SBOT · Membro da ABTPé
Pós-graduado em Intervenção em Dor e Medicina Regenerativa (Interpain).
Referências científicas (10)
- Belk JW et al. (2020). Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/0363546520909397
- Kim JH et al. (2022). Are leukocyte-poor or multiple injections of platelet-rich plasma more effective than hyaluronic acid for knee osteoarthritis? A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery. DOI 10.1007/s00402-022-04637-5
- Filardo G et al. (2020). PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Cartilage. DOI 10.1177/1947603520931170
- Bennell KL et al. (2021). Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. DOI 10.1001/jama.2021.19415
- Bensa A et al. (2025). PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: The Improvement Is Clinically Significant and Influenced by Platelet Concentration: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465241246524
- Laver L et al. (2024). The use of injectable orthobiologics for knee osteoarthritis: A European ESSKA-ORBIT consensus. Part 1 — Blood-derived products (platelet-rich plasma). Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. DOI 10.1002/ksa.12077
- Xu Y et al. (2024). Platelet-Rich Plasma Has Better Results for Long-term Functional Improvement and Pain Relief for Lateral Epicondylitis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465231213087
- Antunes Júnior CR et al. (2026). Platelet-Rich Plasma Does Not Improve Pain or Function in Patients With Lateral Epicondylitis as Compared With Placebo: A Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465251383039
- Oeding JF et al. (2025). Platelet Concentration Explains Variability in Outcomes of Platelet-Rich Plasma for Lateral Epicondylitis: A High Dose Is Critical for a Positive Response: A Systematic Review and Meta-analysis With Meta-regression. The American Journal of Sports Medicine. DOI 10.1177/03635465241303716
- Fucaloro SP et al. (2025). Complications of Platelet-Rich Plasma Injection for Knee Osteoarthritis Are Similar to Those of Corticosteroids and Hyaluronic Acid but Are Significantly Greater Than Those of Placebo Injections: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Arthroscopy. DOI 10.1016/j.arthro.2025.05.018
Referências verificadas em bases indexadas (PubMed) antes da publicação. O texto resume os achados de forma acessível; a leitura dos estudos originais é recomendada para o aprofundamento técnico.
Perguntas frequentes
PRP é célula-tronco?
Não. O PRP é obtido do próprio sangue periférico, com manipulação mínima — coleta, centrifugação e concentração de plaquetas. Não passa por cultivo em laboratório, e não é tecnicamente equivalente a terapias com células-tronco, reguladas à parte.
O PRP é liberado pelo CFM?
Sim, desde 15 de julho de 2026, quando a Resolução CFM nº 2.464/2026 revogou a resolução anterior e autorizou o PRP como procedimento adjuvante em quatro condições: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral e reparo meniscal, sempre mediante diagnóstico e avaliação individual.
Todo PRP é igual?
Não. Preparos chamados de PRP variam em concentração de plaquetas, presença de leucócitos, volume, sistema de processamento e número de aplicações — e os estudos mostram que essas variáveis influenciam o resultado (Bensa et al., 2025; Oeding et al., 2025). O tipo de preparo é parte da decisão técnica, definida caso a caso.
PRP dói?
A coleta é uma punção venosa comum, como em um exame de sangue. A aplicação é guiada por ultrassom, e é esperado algum desconforto durante e nos dias seguintes — dor local, edema ou hematoma, em geral transitórios. Uma piora passageira dos sintomas nos primeiros dias também é descrita e faz parte do consentimento informado.
Quais são os riscos do PRP?
Por ser preparado com o próprio sangue, o risco de reação alérgica é baixo — mas não é zero. A resolução exige que o consentimento informe dor, edema, sangramento, hematoma, infecção, lesão de estruturas vizinhas, piora transitória e possibilidade de falha terapêutica. Uma metanálise descreveu complicações em cerca de 18,66% dos casos com PRP, a maioria leve e autolimitada, sem diferença relevante frente ao ácido hialurônico ou ao corticoide (Fucaloro et al., 2025).
Quantas sessões são necessárias?
Não existe número fixo para todos os casos. Os estudos usaram protocolos diferentes — aplicação única ou múltiplas injeções semanais —, ambos com resultados descritos na literatura. O número de aplicações é definido na avaliação individual, conforme a condição e a resposta observada.
Quando o PRP começa a fazer efeito?
Não é imediato. Nos estudos de osteoartrite de joelho, o benefício frente ao ácido hialurônico aparece de forma mais clara entre 6 e 12 meses (Belk et al., 2020; Filardo et al., 2020). Na epicondilite, o corticoide alivia mais rápido, nos primeiros dois meses, e o PRP passa a ter vantagem a partir de 6 meses (Xu et al., 2024). Nas primeiras semanas, é possível até uma piora transitória. Por isso a reavaliação é programada ao longo de meses, não de dias.
Quando posso voltar às minhas atividades?
Depende da estrutura tratada e da sua atividade. Em geral, recomenda-se repouso relativo nos primeiros dias, evitando esforço intenso sobre o joelho ou o cotovelo, com retorno progressivo orientado na reavaliação. Muitos protocolos orientam evitar anti-inflamatórios no período em torno da aplicação; a orientação sobre medicamentos é individual e dada na consulta. Não há prazo único: o plano é definido caso a caso.
Preciso fazer fisioterapia depois do PRP?
Sim, na grande maioria dos casos. O PRP é, por definição da resolução, um tratamento adjuvante: ele se soma ao tratamento de base — fortalecimento, ajuste de carga, fisioterapia — e não o substitui. Na epicondilite e na osteoartrite de joelho, o programa de exercícios continua sendo parte central do plano, e a aplicação não dispensa essa etapa.
PRP ou ácido hialurônico: o que os estudos mostram no joelho?
Não existe resposta única. Metanálises de ensaios randomizados mostram menos dor com PRP do que com ácido hialurônico aos 6 e 12 meses na osteoartrite leve a moderada (Belk et al., 2020; Kim et al., 2022), e o consenso europeu ESSKA-ORBIT considera o PRP uma opção válida entre os injetáveis nesse perfil (Laver et al., 2024). Mas o PRP tem mais reações locais imediatas, sobretudo nos preparos ricos em leucócitos, e a escolha depende do grau da artrose, do que já foi tentado e do que você espera do tratamento. Saiba mais sobre a [viscossuplementação](/tratamentos/viscossuplementacao/).
PRP ou corticoide: o que os estudos mostram na epicondilite?
Os dois se comportam de forma diferente no tempo. A infiltração com corticoide alivia mais rápido, nos primeiros dois meses; a partir de 6 meses, a metanálise de Xu et al. (2024) mostra vantagem do PRP em dor e função. Frente a placebo, porém, uma metanálise de 2026 não encontrou benefício significativo do PRP em nenhum dos tempos avaliados (Antunes Júnior et al., 2026). Ou seja: o PRP pode ser uma opção para a epicondilite crônica que não respondeu ao tratamento de base, mas a decisão é individual e a resposta não é garantida.
PRP substitui cirurgia ou prótese de joelho?
Não. A resolução veda expressamente usar o PRP como substituto de cirurgia formalmente indicada (art. 13, II), além de vedar promessas de cura ou de regeneração assegurada (art. 13, I). Se há indicação de prótese ou de outra cirurgia, o PRP não é alternativa a ela — no máximo, um recurso adjuvante dentro de um plano mais amplo, discutido caso a caso.
Qual é a diferença entre PRP e BMA?
São produtos distintos. O PRP vem do sangue periférico e concentra plaquetas; o BMA (aspirado de medula óssea) é obtido por punção do osso, geralmente da bacia, e contém outras populações celulares. A Resolução CFM nº 2.464/2026 trata apenas do PRP — e proíbe misturá-lo com concentrado de medula óssea ou gordura microfragmentada na mesma preparação (art. 5º). BMA e gordura microfragmentada têm análise regulatória própria e são considerados caso a caso, com suporte da literatura. O [artigo sobre ortobiológicos](/artigos/tratamento-com-ortobiologicos-prp-e-bma-para-artrose/) detalha as diferenças.
Posso fazer PRP em outras articulações?
Fora das quatro indicações da Resolução CFM nº 2.464/2026, não existe autorização regulatória geral para o PRP. Fora dessa lista, a decisão é sempre individual, caso a caso, considerando a literatura disponível e um consentimento específico.
Tratamentos relacionados
Medicina Regenerativa
Tecnologias regenerativas para tratar a dor e preservar a articulação, com avaliação individualizada em Fortaleza e Eusébio.
Viscossuplementação
Ácido hialurônico intra-articular para artrose, indicado com critério — e não como promessa — em Fortaleza e Eusébio.
Proloterapia
Um estímulo à resposta reparativa de tendões, ligamentos e articulações, considerado depois do tratamento conservador, com avaliação individualizada em Fortaleza e Eusébio.
Ondas de Choque
Um estímulo biológico à regeneração dos tecidos, sem cortes e sem anestesia geral, com avaliação individualizada em Fortaleza e Eusébio.
Artigos para entender mais

PRP na artrose de joelho: o que a evidência mostra e o que o CFM autoriza
O PRP é um concentrado de plaquetas obtido do seu próprio sangue, autorizado pelo CFM desde julho de 2026 como tratamento adjuvante para artrose de joelho leve a moderada, sem substituir o tratamento clínico ou cirúrgico indicado. A evidência científica é consistente quando o PRP é comparado ao ácido hialurônico, mas ainda divide os estudos quando comparado a placebo.

PRP na epicondilite lateral (cotovelo de tenista): evidência e indicação segundo o CFM
O plasma rico em plaquetas (PRP) tem evidência favorável na epicondilite lateral quando comparado à infiltração de corticoide a partir de seis meses, mas metanálises com grupo placebo ainda não demonstram esse benefício de forma consistente. Desde 15 de julho de 2026, a Resolução CFM nº 2.464/2026 autoriza o uso do PRP nessa condição como tratamento adjuvante, regulado e restrito — nunca como substituto do tratamento conservador ou cirúrgico já indicado.

Tratamento com ortobiológicos (PRP e BMA) para artrose
Ortobiológicos como o PRP e o BMA são preparados obtidos do próprio sangue ou da própria medula óssea do paciente, usados para estimular o ambiente biológico da articulação ou do tendão. A evidência é mais consistente em cenários como a artrose de joelho e a fascite plantar crônica e menos consistente em outros, como a tendinopatia crônica do tendão de Aquiles, de modo que a indicação depende da condição, do estágio e da avaliação individual.

Ondas de choque no ombro e cotovelo: quando a evidência sustenta
No ombro, ondas de choque tem evidência forte para a tendinite calcária — não para a tendinite sem depósito de cálcio, onde os estudos não mostram diferença em relação ao placebo. No cotovelo, a revisão mais recente encontrou redução de dor superior à da infiltração de corticoide e à da ultrassonoterapia, ainda que o ganho apareça na dor e não na força de preensão.
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